O
que é o Amor
Uma Hidra Com Mil Cabeças
Como a
hidra do mito grego, o amor assume muitas formas – bastantes
mais do que as nove cabeças atribuídas à hidra do lago Lerna.
Não há apenas o amor parental especialmente visado na Carta
aos Coríntios (O amor é paciente, o amor é prestável, não é
invejoso…).
Há
também o amor passional, cantado por Shakespeare:
O amor
é uma fumarada de suspiros; liberto, é uma chama que brilha
nos olhos dos enamorados; prisioneiro, é um mar que alimenta
as suas lágrimas.
E há o
amor à sociedade, aos animais, e à arte. E o amor a Deus e a
ideias (algumas loucas). E o amor ao poder, ou ao dinheiro, ou à
crueldade. É. Algumas formas de amor são declaradamente
perversões (o amor ao dinheiro, por exemplo) ou monstruosidades
(o amor sádico, de alguns carrascos e psicopatas).
O amor pode de facto envolver características de uma hidra
monstruosa, no sentido mais literal do termo, o que em certa
perspectiva justificaria uma iniciativa como a de Hércules, a
uma Amione distante.
Só que essa tentativa nunca teria o êxito conseguido por
Hércules. No caso do amor, o Monstro e a Bela confundem-se (como
na história da Bela e o Monstro). A fonte de onde brota os
amores monstruosos e pervertidos é a mesma que alimenta os
amores grandiosos. O amor pode inclusivamente ser fonte de ódio:
ao se amar uma certa ideia de Deus, ou de Pátria, ou uma certa
mulher, ou uma certa coisa, pode odiar-se tudo aquilo que
resiste e se opõe a esse amor… É. O amor pode ser fonte de ódio.
Contraditoriamente. Alguns dos nossos maiores amores envolvem
também ódios profundos.
O que
é o amor? Ver também:
O amor é sublime, ou
quimera e caos?
Objectos do amor:
pessoas, Deus, o dinheiro, a arte, o poder, e mais o quê?
Desvalorizar e ironizar sobre o
amor
Ciclos do amor: tempo de paz,
tempo de guerra
Amor, tempo, hábito
Amor e arte
Importância do amor: o amor é
tudo, o amor é nada