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Tempo Para A Guerra E Tempo Para o Amor

Diz-se no Eclesiastes:

Para tudo há uma estação, para tudo o que o que se passa debaixo do céu há um tempo.
Há um tempo para se nascer, e um tempo para morrer; um tempo para plantar, e um tempo para recolher o que foi plantado. … Um tempo para amar, e um tempo para odiar; um tempo para a guerra e um tempo para a paz.

Esta visão da vida como um ciclo, pode ser distorcedora e errada. Há muitas perspectivas em que ela não se desenrola como um ciclo, mas sim como uma maldita de uma coisa atrás da outra, ou como uma serpente errática, ou como a alegria breve e colorida de um pássaro na primavera. Mais: ao bem não tem que se suceder o mal. O mal e o bem não são parte integrante do mesmo ciclo, ou de uma qualquer inevitabilidade.

Mas há de facto um certo ângulo em que a vida - com os seus ingredientes – se apresenta sob forma circular, em que o amor e a guerra se intervalam com regularidade ao longo das suas horas e períodos. Nesta perspectiva o autor do Eclesiastes tem razão.

Pense-se no nosso quotidiano. Ele é cheio de guerras: a guerra do trabalho, a guerra da sobrevivência. Mas no intervalo desses nossos afazeres diários, há também um espaço – porventura breve, demasiado breve - para um sorriso, uma conversa, um beijo. Há sempre uma hora, um minuto, para o amor. O Eclesiastes tem razão, nesta perspectiva: há um ciclo de guerra e amor nas nossas vidas.

Mesmo aqueles que fomentam a guerra, não estão excluídos deste ciclo. Não o dispensam. Mesmo para os que têm as mãos sujas de sangue - como os nazis, as tiveram – há sempre um espaço privado para a sua humanidade, um espaço para filhos, e esposas e amantes. No intervalo das guerras há um espaço para o amor (ainda que ele surja como mesquinho e insignificante, face ao espaço do círculo dedicado à guerra e ao ódio).

Todos estamos envolvidos neste ciclo: os pecadores, e obviamente também os santos, ou aqueles de nós que mais se aproximam dessa condição. Também estes estão absorvidos por tarefas diárias, que nada têm de superior e divino; também nos santos humanos há espaço para o mal presente na raiz de todo o ser; também a sua vida pode ser vista como um ciclo.


O que é o amor? Ver também:
O que é o amor?

O amor é sublime, ou quimera e caos?
Objectos do amor: pessoas, Deus, o dinheiro, a arte, o poder, e mais o quê?
Desvalorizar e ironizar sobre o amor
Ciclos do amor: tempo para a guerra e tempo para o amor
Amor, tempo, hábito
Amor e arte


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