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O Tempo Gasta o Amor: o Hábito e o Amor
O tempo esbate as feridas e as más memórias - dores,
afrontas, insucessos, golpes da má fortuna. Mas não só.
Também o espantoso e o grandioso é esbatido e banalizado
pelo tempo. Habituamo-nos às coisas, e o seu lado fantástico
e maravilhoso desaparece com essa habituação.
É uma
lei natural, a que o amor – com o que ele pode ter de
grandioso - não está imune. E é o que Úrsula Guin expressa
de forma superior:
O amor é como o pão; tem que ser amassado, feito de novo,
todos os dias.
Úrsula Guin, The Lathe of Heaven
A
habituação e a falta de novidade podem de facto ser o túmulo
do amor, ou de certos amores – um túmulo de onde ele não
ressuscita mais, ou de onde só ressuscita nas nossas
memórias, e nomeadamente nos mitos criados pela literatura e
pelas publicações cor-de-rosa.
Mas há obviamente outras causas. Muitas vezes, no caso do
amor romântico, é a ilusão que morre, são as miragens de
seres maravilhosos a desaparecerem, a assumirem a sua
condição plebeia.
Outras vezes é a falta de amor verdadeiro:
Quantos homens pensam que desejam uma mulher, quando apenas
querem realmente um orgasmo?
A.
Compte-Sponville, filósofo francês, Pequeno Tratado das
Grandes Virtudes
Ou são
mudanças que acontecem em nós:
Ele não ama mais a pessoa que amou há dez anos atrás.
Acredito piamente nisso. Ela não é a mesma, e tão pouco ele
o é. Ele era jovem, e ela também. (…) Talvez ele ainda a
pudesse amar, se ela fosse como antes.
B.
Pascal, filósofo, físico e matemático francês,
Pensamentos
Ou
outros factores... O hábito e o tempo não são definitivamente
explicação para tudo.
O que
é o amor? Ver também:
O que é o amor?
O
amor é sublime, ou quimera e caos?
Objectos do amor:
pessoas, Deus, o dinheiro, a arte, o poder, e mais o quê?
Desvalorizar e ironizar sobre o
amor
Ciclos do amor: tempo de paz,
tempo de guerra
Amor e arte
Importância do amor: o amor é
tudo, o amor é nada
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Amor, tempo e hábito
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