Contradições do Amor
O amor é
grandioso e sublime,
ou quimera e caos?
Disse Pascal, a propósito do homem, e das contradições e
facetas grandiosas e mesquinhas nele presentes:
Que quimera é o homem? Que novidade, que monstro, que caos,
que sujeito de contradição, que prodígio! Juiz de todas as
coisas, verme imbecil; depositário da verdade, fossa de
incerteza e de erro; glória e nojo do universo. Quem é capaz
de deslindar esta embrulhada?
Algo
de semelhante podemos dizer do amor.
O amor é grandioso. Todos conhecemos o amor incomensurável
do pai e da mãe, e o amor místico dos santos, e o amor à
humanidade, que pode evitar conflitos e tornar o nosso mundo
mais fraterno.
O amor salva-nos. Sem amor a vida é nada:
Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não
tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que
retine.
Bíblia,
Carta aos Coríntios
E no
entanto, não podemos esquecer que o amor também está
presente na prostituição ou na pornografia. Ou que o amor
pode ser ciumento, possessivo, violento, gerador de ódios e
pesadelos (é à sombra do amor a certas ideias e deuses que
se cometem actos terroristas e se vai para a guerra).
Há de facto muitas formas de amor que o denigrem, como o
atesta as palavras de Gengis Khan:
A felicidade consiste em vencer os inimigos, em vê-los de
joelhos à nossa frente, em tirar-lhes as suas propriedades,
em saborear o seu desespero, em ultrajar as suas mulheres e
filhas
Parece que
o seu amor supremo se confundia com sadismo…
É pois caso para dizer, como Pascal: Quem é capaz de deslindar
esta embrulhada?
O que é o
amor? Ver também:
O que é o amor?
Objectos do amor: pessoas, Deus, o
dinheiro, a arte, o poder, e mais o quê?
Desvalorizar e ironizar sobre o
amor
Ciclos do amor: tempo de paz,
tempo de guerra
Amor, tempo, hábito
Amor e arte
Importância do amor: o amor é
tudo, o amor é nada