Amor e Insensibilidade do Homem
Para Com as Outras Espécies
Homens
e Pássaros
Quando os
tiros das armas humanas se calam, os pássaros cantam. No meio da
desolação e dos horrores deixados pela guerra, os pássaros
cantam empoleirados nas botas dos soldados mortos ou nas árvores
em redor, alheios à morte. É um cenário bem conhecido de quem
passou pela guerra.
Esta insensibilidade dos pássaros surge-nos estranha. Choca-nos,
dói-nos. E pode levar-nos a pensar: «Como estamos afastados e
acima das outras espécies. Só nós somos capazes de
verdadeiramente sentir, de ter consciência. Só nós
verdadeiramente somos capazes de pensar e amar, de forma
superior.»
Sim. Talvez. Mas não deixamos de ser como os pássaros,
insensíveis perante mil e um morticínios – no campo humano, e
também fora dele.
Embrenhados e acostumados à crueldade da vida e do mundo, não
vemos quão cruéis também somos para as outras espécies…
Positivamente, não pensamos nos milhões de animais que
diariamente abatemos nos nossos matadouros, ou nos muitos
biliões que aprisionamos condições cruéis, antes de os matar e
comer...
Nessa perspectiva, é totalmente deslocado ficarmos espantados
com a insensibilidade dos pássaros que cantam no meio dos
cadáveres humanos. Somos tão insensíveis como os pássaros.
Ética e Amor? Ver também:
Amor e crueldade do homem para com os animais
Ética militarista e ética
pacifista
Amor, Paz e Guerra