O
facto de a guerra constituir um espectáculo horroroso deve
levar-nos a encará-la mais seriamente, mas não constitui uma
desculpa para que quebremos gradualmente as nossas espadas,
em nome da humanidade. Mais cedo ou mais tarde alguém virá
com uma espada aguçada para nos arrancar os braços.
Carl
von Clausewitz, 1780-1831, general alemão e teórico da
guerra, On War
Estas palavras têm inspirado muitos políticos e políticas
armamentistas. Em nome da pátria, da segurança, e até do amor à
paz, desenvolvem-se os arsenais, promovem-se as desconfianças, e
as condições que podem abrir o caminho às guerras mais
sanguinárias.
É
inevitável, dirão muitos. A realidade não é cor-de-rosa, e os
inimigos não são ficção. Não somos santos, os políticos não são
santos, e os adversários e inimigos também não o são. O mundo
não se regula pelo amor, mas sim pela lei da espada e do mais
forte. Sempre foi assim. Nascemos e evoluímos nesse contexto.
Sempre houve guerras entre grupos humanos, inspiradas pelas mais
diferentes razões.
É um
facto: sempre houve guerras e conflitos. Efectivamente, as
raízes da guerra estão dentro de nós e reflectem a crueldade do
mundo. Mas o que é natural e foi regra no passado, não legitima
actuações presentes e as políticas militaristas e agressivas.
Nem inviabiliza os argumentos dos pacifistas.
A Guerra Fria e a corrida aos armamentos que se sucedeu à
segunda Mundial é uma ilustração daquilo a que podem conduzir os
argumentos militaristas. A evolução posterior, com o relativo
apaziguamento e desmilitarização é, por outro lado, uma prova de
que o passado não configura o presente, nem o determina.
O mal, e o
ódio estão dentro de nós. Mas também o amor, incluindo o amor à
paz. Ele pode ser pequeno, mas pode ser elevado por via da razão,
da inteligência e dos nossos valores éticos. Não temos que nos «atemorizar
com a nossa própria natureza obscura», para usar os termos de
Loren Eiseley. «Somos homens, e não bichos, e temos de viver
como homens». Não temos que permanecer agarrados à ideia de «o
homem é maldade» e um animal que veio das «trevas dos bosques e
das cavernas.»
Ética e Amor? Ver também:
Ética e
insensibilidade humana para com as outras espécies
Amor e crueldade do homem para com os animais
Ética militarista e ética
pacifista