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O Amor
e a Ética Militarista e Pacifista

Amamos a paz e odiamos a guerra. Concordamos com os grandes slogans favoráveis à paz, tipo «O homem tem que pôr fim à guerra, ou a guerra porá fim ao homem», mas as guerras continuam. E porquê?

Teóricos da guerra e da estratégia política como Maquiavel ou Carl von Clausewitz imputam as origens da guerra à natureza humana e à sede de poder humano, e implícita ou explicitamente consideram a guerra como um fenómeno sempre latente e inevitável.

Outra explicação, coloca a origem da guerra noutros factores, designadamente nas nossas atitudes mentais e nos nossos valores e ideias. Filósofos como John Locke ou Voltaire, perante as múltiplas guerras religiosas da época, viram o sentimento de intolerância como causa maior da guerra. Só por via da tolerância poderíamos reduzir os conflitos humanos. Na mesma linha, Stuart Mill, cerca de um século depois, também defendeu que a guerra nunca terminaria enquanto «a maneira de pensar» humana não se alterasse.

Esta última perspectiva explicativa da guerra abre perspectivas bem mais positivas. Ela não nega a primeira explicação: na origem de muitas guerras estão instintos de agressão humanos, está a falta de amor fraternal, está a natureza humana. Mas, ao contrário dela, contém uma réstia de esperança.

John Locke, Voltaire ou Stuart Mill, ao contrário de um Maquiavel ou de um Carl von Clausewitz, não fecham as portas à possibilidade de elevação ética do homem e à possibilidade de se evitarem as guerras. Pelo contrário, melhorando atitudes, e elevando a nossa capacidade de amar e as maneiras de pensar, o homem pode evitar a guerra, ou evitar muitas guerras.
 

Citações

Ética militarista



Sinto que todo o mundo ocidental beneficiará com a ressurreição do projecto da bomba de neutrões.

Ronald Reagan, presidente americano 1981-1989, no 36º aniversário do bombardeamento de Nagasaki 

 

 

O facto de a guerra constituir um espectáculo horroroso deve levar-nos a encará-la mais seriamente, mas não constitui uma desculpa para que quebremos gradualmente as nossas espadas, em nome da humanidade. Mais cedo ou mais tarde alguém virá com uma espada aguçada e arrancar-nos-á os braços.

Carl von Clausewitz, 1780-1831, general e teórico da guerra alemão, On War

 


O agressor é sempre uma amante da paz. Ele prefere ocupar-nos o país sem oposição.

Carl von Clausewitz, 1780-1831, general e teórico da guerra alemão, On War

 


A guerra não é uma ocupação de gente honrada; o soldado, se quer ter algum proveito, tem que ser falso, predador e cruel.

N. Maquiavel, 1469-1527, político e historiador italiano, O príncipe

 

Citações

Ética pacifista

 


O homem tem que pôr fim à guerra, ou a guerra porá fim ao homem.

John F. Kennedy, 1917-1963, político norte-americano, discurso nas Nações Unidas, 25/9/1961 

 


A paz não pode ser obtida pela violência: apenas pelo diálogo e pelo conhecimento.

Albert Einstein, 1879-1955, físico de origem alemã, em EinsteinQuotes.html, rescomp.stanford.edu, por Kevin Harris 

 


Na guerra, seja qual for o lado que proclame a vitória, não já vencedores, e todos são perdedores.

Neville Chamberlain, 1869-1940, político inglês, no Times de 4/7/38

 


Nunca houve uma boa guerra, ou uma má paz.

Benjamin Franklin, 1706-1790, físico, ensaísta e político norte-americano, Carta a Josiah Quincy

 


Não há guerra justa, no sentido de haver uma guerra em que as leis comuns e os direitos dos homens sejam respeitados.

A. Compte-Sponville, filósofo francês, Pequeno Tratado das Grandes Virtudes


Ética e Amor? Ver também:

Ética e insensibilidade humana para com as outras espécies
Amor e crueldade do homem para com os animais
Amor, Paz e Guerra

 

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