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Amor e Tolerância
Crimes e Guerras
A
tolerância é inseparável do amor: perdoamos facilmente os
erros e os pecados daqueles que amamos; dificilmente
perdoamos àqueles que não amamos. O nosso amor faz-nos ser
tolerantes, a falta dele intolerantes…
Mas a tolerância não se liga só ao amor. Ela está dependente
da informação. Só quem se conhece a sim mesmo, e tem uma
visão moderna da natureza humana, pode ser tolerante. Quando
as nossas razões são empoladas, quando os nossos maus
humores são levados muito a sério, quando não se reconhece a
relatividade das nossas ideias, quando nos julgamos
superiores aos outros, ou com um cultura, ou com um Deus, ou
com predicados superiores, tornamo-nos intolerantes, e a
intolerância torna-se causa de conflitos e guerras.
É o que proclamam filósofos como Séneca ou Voltaire:
Seremos mais comedidos se observarmos o nosso interior, se
nos interrogarmos assim: não fiz eu algo de semelhante?
Também não pequei? Posso condenar estas culpas?
Séneca,
4 a.C.-65 d. C., filósofo romano, Da Ira
Devemos tolerar-nos mutuamente, porque somos todos fracos,
inconsequentes, sujeitos a humores e ao erro. Acaso uma cana
que o vento deitou à lama diz à cana vizinha, virada ao
contrário: 'Rasteja como eu, miserável, ou apresento queixa
para que sejas arrancada e queimada'?
A tolerância é o apanágio da humanidade. Todos somos feitos
de fraquezas e de erros; perdoar uns aos outros as nossas
tolices, eis a primeira lei da natureza.
Voltaire, 1694-1778, escritor e filósofo francês,
Dicionário filosófico
A
tolerância liga-se também muito às nossas ideias (ao amor às
nossas ideias). Levados por certas ideias de Deus, de
verdade, de bem, cometemos os piores males e assassínios.
Tornamo-nos fanáticos e cegos, como mostram múltiplas
revoluções no passado: a francesa, a soviética, a nazi… É o
que diz François Jacob:
A história mostra bem que não há nada tão perigoso, tão
assassino, como as ideologias, os fanatismos, as certezas de
ter razão.
Todos os grandes crimes da história são consequência de
algum fanatismo. Todos os grandes massacres foram perpetrados por virtude, em nome do nacionalismo legítimo,
da religião verdadeira, da ideologia justa.
F. Jacob, 1920, biólogo francês, The Statue Within
Amor e valores? Ver também:
Revolta, ressentimento, amor e
gratidão
Humildade e amor: a recusa da
vaidade, do orgulho e do ódio
Amor, perdão e justiça faça a
erros e faltas
Orgulho e amor patriótico e racial
Amor, ódio, vontade e razão
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