Orgulho e
Amor Patriótico e Racial
Proclama-se
frequentemente o nosso direito ao orgulho: ao orgulho patriótico,
ao orgulho aos seus, à raça. Esse orgulho pode ser, no fundo,
uma forma de amar: de amar a nação, a raça, os feitos pessoais...
O orgulho não é inteiramente separável do amor.
Mas o orgulho é por norma uma forma menor e pobre de amor, e um
sentimento negativo. Ele pode ser vaidade, arrogância, soberba,
racismo (no caso do orgulho racial), nacionalismo tolo (no caso
do amor deslocada à nação a que se pertence).
Mais: o amor presente no orgulho faz-se à custa de amores mais
autênticos. Ter-se orgulho no país a que se pertence, ou orgulho
aos seus ou ao que se fez, sendo eventualmente amor, é-o de
forma restrita, envolvendo pessoas individuais e grupos, em vez
de um amor com características mais universais.
O orgulho é também ignorância, ou pode ter como consequência a
ignorância. Por amor ao orgulho, muitas vezes, recusamos ver. E
quem sente orgulho dos seus feitos, da sua beleza, da sua
inteligência, da sua força, está a ignorar o outro lado da
realidade, e a nossa condição existencial. Está a valorizar os
aspectos transitórios da vida e a ignorar a nossa condição de
base: a nossa condição de seres humildes, prisioneiros da vida,
da morte, da dor, do acaso. Muitas formas de amor autêntico são
inseparáveis da humildade.
Amor e valores? Ver também:
Revolta, ressentimento, amor e
gratidão
Humildade e amor: a recusa da
vaidade, do orgulho e do ódio
Amor, perdão e justiça faça a
erros e faltas
Tolerância, crimes e guerras
Amor, ódio, vontade e razão