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Amor, Ódio, Vontade, Razão
O amor
não depende da nossa vontade, e esse é o seu maior mistério.
Não está no âmbito dos nossos poderes humanos amar alguém a
pedido, ou por ordem.
Compte-Sponville
As
palavras acima, de um dos grandes filósofos contemporâneos,
merecem à partida a nossa concordância.
Mas há outra perspectiva, diferente, de ver o amor. Uma
perspectiva em que o amor deve depender da razão, para nosso bem,
e para bem do próprio amor.
O amor e o ódio associam-se, muitas vezes. O amor intenso a
certas causas alimenta o ódio àquilo e àqueles que se opõem. O
ódio que move corações e multidões mundo fora, o ódio presente
nas manifestações de rua, nas pedras, nas ameaças que saem de
mil bocas enfurecidas – com legitimidade ou sem ela, não
interessa para o caso – é paralelamente uma forma de amor ao
Deus, à pátria, à causa, às ideias que se defendem…
O amor
pode de facto ser extremamente agressivo e negativo. O amor que
não é esclarecido e informado, onde não há reflexão, humildade,
tolerância, o amor que é acompanhado por concepções em que os
adversários são encarados como seres demoníacos, o amor que dá
voz a instintos genéticos, o amor que é espontâneo, animal,
independente da nossa vontade, passional, é – ou pode ser em
muitos casos - particularmente perigoso.
Não devemos enaltecer o carácter espontâneo, natural, do amor.
Os amores espontâneos, independentes da nossa razão, podem na
realidade ser tremendos pesadelos.
Esses amores podem ter uma base genética, espontânea, natural,
mas isso não os torna uma realidade positiva. Há que
contrariá-los por via de valores e da nossa consciência e
inteligência - por outras palavras, da nossa razão. Ou seja: ao
contrário do que se costuma dizer, o amor não é, ou não deve
ser, em muitos casos, independente da razão.
Amor e valores? Ver também:
Amor e gratidão
Humildade e amor: a recusa da
vaidade, do orgulho e do ódio
Amor, perdão e justiça faça a
erros e faltas
Orgulho e amor patriótico e racial
Tolerância, crimes e guerras
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