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O Amor nas Nossas Sociedades
Cooperação, Lucro e Forças de Mercado

A nossa vida quotidiana – e nomeadamente a nossa vida económica – não deixa de reflectir a vida biológica de que fazemos parte, e as regras que a regulam. Todo o ser vivo mata para viver e foge à morte e luta arduamente pela sua sobrevivência, e nós não podemos fugir a isso. Somos parte da crueldade do mundo. Todo o ser vivo luta e defende os seus interesses e os interesses dos que lhe são aparentados, muitas vezes contra os interesses dos outros e dos interesses mais gerais.

Como animais, transplantámos para as nossas sociedades estas leis biológicas. As leis de mercado e da procura do lucro - associadas à competição e à luta quotidiana -  são, a seu modo, uma reprodução das leis da selva e das leis biológicas.

E no entanto as nossas sociedades não são selvas, apesar de às vezes assim parecer. A nossa racionalidade (por limitada que seja), a nossa inteligência, e o facto de sermos animais sociais e éticos, dão às nossas sociedades uma natureza bem mais complexa.

As nossas sociedades não poderiam funcionar apenas com base na competição e nos múltiplos interesses privados. Sem correcções do Estado e dos grupos de cidadãos a favor dos pobres, ou das florestas e da vida animal, sem regras éticas e princípios inspirados no amor e na razão, estaríamos condenados.

E estamos, pode argumentar-se. As nossas sociedades são edifícios instáveis, sujeitas a rupturas e a desequilíbrios graves, e o nosso planeta está à beira da ruína em termos ecológicos.

De facto, os interesses de curto prazo e os egoísmos individuais podem ser fatais ao nosso planeta e à nossa própria sobrevivência. As forças de mercado podem levar a Terra à ruína. Sem reforço do elemento racional e dos mecanismos do amor colectivo – sob a forma de solidariedade, cooperação, generosidade, doação -, a nossa existência está ameaçada.

O Amor nas nossas sociedades e economias? Ver também:
O Amor e o Sistema de Mercado
Amor, Liberalismo e Comunismo


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