Amor,
Liberalismo Económico e Comunismo
Na
nossa vida colectiva impera a competição, o mercado e a lei
do lucro. E assim tem que ser, de acordo com princípios
enunciados há muito por Adam Smith, o pai da economia.
Oiçamo-lo:
Não é da caridade do talhante, do cervejeiro ou do padeiro,
que podemos esperar o jantar, mas sim da sua preocupação
pelo seu próprio interesse. Devemos considerar não a sua
humanidade mas o seu interesse pessoal, e nunca falar-lhes
das nossas necessidades mas das suas vantagens.
Mais
de cem anos depois de Adam Smith, John M. Keynes,
considerado por muitos como o maior economista do século XX,
classificou de forma brutal as regras de regulação da
economia que Adam Smith havia preconizado: É a «gula» que
comanda a vida económica, disse ele; não é o amor.
Houve, é certo, algumas experiências a tentar criar sistemas
alternativos ao sistema de mercado, apadrinhado por Adam
Smith – sistemas que procuraram implementar fórmulas de amor
colectivo, nomeadamente as experiências comunistas. Mas
resta muito pouco dessas experiências. Elas falharam,
declaradamente.
O que é caso para perguntar: como é que ideias de amor
colectivo – e o comunismo continha-as, indubitavelmente –
falharam, na sua aplicação à economia e à sociedade? E como
é que a procura do lucro e a perspectiva egoísta gera
sucesso e riqueza económica?
Adam Smith dá a resposta:
Ao perseguir o seu próprio interesse o indivíduo está a
promover o interesse da sociedade de uma forma mais efectiva
do que quando pretende realmente promovê-la.
Ou
seja: a explicação está na natureza humana… Quando se
pretende promover o interesse da sociedade com base em
princípios de amor falha-se, porque somos intrinsecamente
egoístas. Sem competição e sem empenhamento egoísta dos
homens, o sistema económico adormece. Os princípios do amor
e de solidariedade não funcionam. São esquecidos, não são
aplicados
Mas será que as nossas sociedades e as nossas economias
podem e devem funcionar apenas, ou basicamente, segundo os
princípios do mercado, do lucro e da competição, previstos e
preconizados por Adam Smith?
Citações
Princípios do Liberalismo Económico
Não é da
caridade do talhante, do cervejeiro ou do padeiro, que podemos
esperar o jantar, mas sim da sua preocupação pelo seu próprio
interesse. Devemos considerar não a sua humanidade mas o seu
interesse pessoal, e nunca falar-lhes das nossas necessidades
mas das suas vantagens.
Todo o
indivíduo labora para defender o seu interesse. Por regra, ele
não pretende promover o interesse público, nem sabe em que grau
o está a promover. Ele visa apenas os seus ganhos, e está, nesse
caso como em muitos outros, a ser levado pela mão invisível que
promove um fim que não faz parte da sua intenção.
Ao
perseguir o seu próprio interesse o indivíduo está a promover o
interesse da sociedade de uma forma mais efectiva do que quando
pretende realmente promovê-la.
Não há maior disparate e presunção do que reis e ministros a
quererem controlar a economia privada da população, e a
restringirem a sua despesa.
Todo o
homem, desde que não viole as leis da justiça, deve prosseguir
livremente os caminhos do seu próprio interesse, e entrar com o
seu capital e indústria na competição com os outros indivíduos e
empresas.
Adam Smith, 1723-1790, economista e filósofo inglês, The
Wealth of Nations.
O Amor nas nossas sociedades e economias? Ver também:
Amor, Lucro e egoísmo
O Amor e o Sistema de Mercado