Amor, Prazer,
Pecado e Decadência
O prazer
está conotado frequentemente com o pecado. No caso concreto do
amor, o prazer é associado ao amor sexual, frequentemente visto
como pecaminoso, associado a excessos, à irresponsabilidade. E
no entanto o prazer existe em todas as formas de amor, e regula
toda a nossa existência e os nossos comportamentos…
Os nossos amores podem implicar por vezes sacrifícios,
generosidade, compaixão, caridade, doação, mas até no fundo
desses amores e desses actos não deixa de haver prazer. Na base
do amor a namorados, cônjuges, pais, filhos há também
sentimentos de alegria, apaziguamento, harmonia, ou seja, em
suma, sentimentos de prazer.
Quando
amamos Deus, não deixamos de retirar prazer, satisfação, desse
amor. Quando amamos certas ideias, certas formas de poder, ou
certas expressões artísticas, fazemo-lo porque temos prazer
nisso. O amor é indissociável do prazer. Não se pode amar
duradouramente e intensamente sem retirar prazer daquilo que
amamos.
É algo inelutável e ineliminável. As nossas vidas estão
balizadas por princípios e regras de prazer e dor. Somos animais
cujos comportamentos e mentes estão enquadrados nesses termos.
Procuramos o prazer (por via do amor, ou por outras vias), e
fugimos à dor. Procuramos o prazer da comida, o prazer da poesia,
o prazer da música, o prazer do poder, do domínio. Fugimos à dor
imediata, à dor causada pelo espectro da morte, à dor associada
aos nossos medos.
Nesta perspectiva, o amor é apenas uma das vias de obter prazer,
alegria - a via porventura mais importante, sem a qual, a vida
perde sentido.
Amor e sexo? Ver também:
O amor libertino e o amor
lírico e romântico
Amor, sexo e humor