Grandes
e Pequenos Amores
Gostamos
da beleza, do lirismo, da poesia. Gostamos de romances de amor,
de poemas de amor. Gostamos dos grandes amores românticos: dos
amores de Tristão e Isolda, de Romeu e Julieta, de Abelardo e
Heloísa.
Apreciamos as grandes provas de amor colectivo, e
santificamo-las e elevamo-las à condição de ícones: os amores
protagonizado por São Francisco de Assis, ou por Madre Teresa de
Calcutá, por exemplo.
E no entanto estes amores não deixam de ter algo de deslocado,
de estarem distantes de nós, de terem elementos irreais, de não
serem verdadeiramente bons modelos. São amores literários, ou
amores do passado, ou frutos da lenda e da imaginação. Ou então
amores próprios dos santos – coisa que nós declaradamente não
somos.
Nesta
perspectiva, os grandes amores são outros. São amores anónimos,
escondidos. Amores às vezes românticos, líricos, belos, mas sem
o elemento trágico de Romeu e Julieta ou de Abelardo e Heloísa.
São amores às vezes envolvendo simplesmente devoção, entrega,
generosidade, humildade. Amores que não deixam de ser tão
grandes ou maiores do que muitos dos amores mais cantados.
Amor romântico? Ver também:
O amor é ilusão e loucura
Beleza e amor
O amor é um jogo
Grandes e pequenos amores
Amor e fidelidade
Quantas Heloísas
e Abelardos existem nos divórcios e amores actuais?
O amor romântico na
literatura: Platão, Dante, Shakespeare