O Amor
Lírico É Ilusão e
Loucura
Abundam na
literatura as referências ao carácter louco do amor. «Aquele que
tiver o amor dentro de si, é louco», diz Sófocles. E, na mesma
linha, Shakespeare: «Amantes e loucos têm cérebros tão
fervilhantes, tão cheios de fantasias, que superam tudo o que a
fria razão pode entender.» Ou William Congreve: «Se não é amor,
é loucura, logo é perdoável».
Insensatez,
declarações impensáveis, embriaguez sentimental, visão colorida
da realidade. Ilusão. É sobre isso que também Marcel Proust
escreveu: «Quando o amor é muito grande, é inimaginavelmente
pequeno o papel da mulher real.». Ou: «O amor é um exemplo
flagrante do pouco que a realidade é para nós».
Mas há
outra perspectiva, em que ele deixa de ser loucura. O amor pode
ser poesia extrema, enamoramento, capacidade de ver a vida e o
ser amado à luz do maravilhoso. «O sol chamejante mostra que
sobre todos, ó Amor, tu és o único governante», diz Eurípedes.
«A vida mundana é um reflexo insignificante do que se passa no
amor», diz Proust. «O amor é a suprema poesia da natureza», diz
Novalis. «Ficar apaixonado corresponde ao desejo de ver o mundo
com outros olhos», diz Alberoni.
O problema,
e a verdadeira loucura, estão noutro tipo de amores: no amor ao
dinheiro e ao poder, no amor ao superficial, no amor deslocado
ao eu (egoísmo), no amor a certas ideias de Deus (fonte de actos
terroristas como o 11 de Setembro)…
Citações
O
Amor é Louco
Os
limites de uma parede são incapazes de conter o amor, e o que o
amor pode fazer, o amor não deixa de ousar.
William
Shakespeare, 1564-1616, poeta e dramaturgo inglês, Romeu e
Julieta
A vida
mundana é um reflexo insignificante do que se passa no amor.
Marcel
Proust, 1871-1922, escritor francês, A prisioneira
Sabíamos
que as paixões podiam alucinar, mas convém também dizer que
podem iluminar.
E. Morin,
sociólogo e filósofo francês, Método V; edição portuguesa:
Europa-América
Amantes e loucos têm cérebros tão fervilhantes, tão cheios de
fantasias, que superam tudo o que a fria razão pode entender.
William
Shakespeare, 1564-1616, poeta e dramaturgo inglês, Sonho de
Uma noite de Verão
O louco, o enamorado e o poeta são filhos da imaginação. Um vê
mais demónios do que aqueles que o inferno pode conter: é o
louco. O apaixonado, igualmente frenético, vê a beleza de Helena
num frontispício egípcio; o olhar do poeta, esse, animado por um
belo delírio, transporta o céu para a Terra e a Terra para o céu.
William
Shakespeare, 1564-1616, poeta e dramaturgo inglês, Sonho de
uma noite de Verão
O desejo do amor enfeitiça e enlouquece o coração da vítima
sobre a qual se lança. Enfeitiça os leões caçadores da montanha,
os animais do mar, o homem, e todas as criaturas que a Terra
alimenta.
Eurípedes,
480-406 a. C., poeta e dramaturgo grego, Hipólito
Amor romântico? Ver também:
Beleza e amor
O amor é um jogo
Grandes e pequenos amores
Amor e fidelidade
Quantas Heloísas
e Abelardos existem nos divórcios e amores actuais?
O amor romântico na
literatura: Platão, Dante, Shakespeare