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Amores Perversos: o caso de Hitler e dos Nazis

O amor cercar-nos e não o podemos evitar, mesmo quando o negamos, mesmo para aqueles que acham que amor é pieguice e se confunde com romances cor-de-rosa, mesmo para os que cometem os piores crimes. Ele intromete-se e existe onde menos o esperamos.

Veja-se o caso dos nazis. Eles não deixaram de ter os seus espaços privados de amor – família, amantes… Além disso adoravam o poder, a exibição, e as ideias que defendiam, o que corresponde a formas de amor…

Pense-se em Hitler. Faltou-lhe o amor de pai, que se revelou castrante e contribuiu decisivamente para a sua paranóia? Faltou-lhe o amor físico das mulheres?

Talvez. Mas muitas mulheres adoravam Hitler, e ele sabia-o, e amava isso mesmo, e alimentou o jogo, ainda que de forma dúbia: envolveu-se num amor mal definido pela sobrinha, e noutro igualmente mal definido com Eva Braun, e em mais alguns...

E ainda mais declaradamente não será que Hitler amou as suas ideias e a sua carreira de político?

Hitler amava a pátria alemã, amava o poder, amava contar piadas sujas, amava discursos grandiloquentes, amava sentir os urros irracionais do povo alemão, amava as músicas militares, amava massacrar e denegrir os judeus.

Faltou-lhe o amor verdadeiro, faltou-lhe amor à sabedoria, à humildade, à humanidade? Sem dúvida. Mas não se pode propriamente dizer que o amor esteve ausente da sua vida. Perversamente, o amor alimentou muito dos seus actos.


Amor, Mal, Ódio? Ver também
Mal, indiferença, crueldade e egoísmo
Quando o amor alimenta o mal e o ódio
Amores, genes, genocídios e matanças
Sonhos de melhores sociedades, com mais amor


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