Maquiavel, Píndaro, Mark Twain, a Natureza Humana e o Amor
Já se
sabe: Maquiavel não acreditava numa política inspirada pelo
amor. Nem acreditava no amor humano. Nas suas palavras:
Pode-se dizer isto, em termos gerais, a propósito dos homens,
que eles são ingratos, inconstantes, fingidores e impostores,
cobardes e gananciosos
Mas
será que somos realmente os seres «ingratos, inconstantes,
fingidores e impostores, cobardes e gananciosos», incapazes
de amar, de que ele fala?
Que não somos santos e que estamos bem longe de tal, todos o
sabemos. Mas terá pertinência os termos em que somos
definidos por Maquiavel? Será que o nosso amor é tão falso
quanto ele diz que nós o somos?
Maquiavel definiu-nos mal. Ela não captou a nossa
ambivalência. Nós somos mais como uma lua, com duas faces,
uma das quais escura, como disse Mark Twain: «Todo o homem é
uma lua, com um lado escuro permanentemente escondido dos
outros».
Temos
em nós o mal, mas somos também capazes do bem, como refere
Píndaro, e Maquiavel ignorou:
O
homem é um sonho de uma sombra. Mas quando uma abençoada
claridade chega, pousa sobre os homens uma luz radiante, e
uma vida suave.
Mais:
por via da nossa consciência e inteligência podemo-nos
elevar, e elevar a nossa capacidade de amor. E negar
Maquiavel (ainda que o nosso lado escuro esteja sempre
pronto a espreitar, e a alimentar pesadelos).
Citações
Maquiavel e a sua Visão do Homem e da Política
Maquiavel, 1469-1527, Político e historiador Italiano, O
Príncipe
Pode-se
dizer isto, em termos gerais, a propósito dos homens: eles são
ingratos, inconstantes, fingidores e impostores, cobardes e
gananciosos; enquanto trabalhares para seu bem e o mal estiver
longe, eles estarão a teu lado, e oferecerão o seu sangue, a sua
propriedade, as suas vidas, e os seus filhos; mas quando o mal
chegar perto de ti, eles virar-te-ão as costas.
Sempre que desejares fundar um Estado e dar-lhe leis, parte do
pressuposto de que todos os homens são maus e sempre dispostos a
mostrar a sua natureza viciosa, sempre que a ocasião se lhes
deparar.
Aquele que
estabelecer uma tirania e não matar Bruto, e aquele que
estabelecer um regime democrático e não matar os filhos de Bruto,
não durará muito.
Se tens que injuriar alguém, que isso seja feito de forma tão
severa que a vingança não tenha que ser temida.
É melhor ser temido do que amado, e mais prudente ser cruel que
compassivo.
Uma vez que o amor e o medo raramente podem coexistir, se tens
que escolher um dos dois, é muito mais seguro seres temido que
amado.
Astúcia e dissimulação servem melhor o homem do que a força.
Amor
fraternal? Ver também:
Poema a Alzheimer
O amor fraternal de Sao Lucas
Resolver os nossos males por via do
amor
Não podemos comandar o amor
O amor e o sofrimento: uma
explicação para a falta de amor
Actos com e sem amor