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Actos Com e Sem Amor
Consequencialismo e utilitarismo

«O acto é tudo, a glória é nada», considerou Goethe. E na mesma linha utilitarista, Stuart Mill:


Aquele que salva um semelhante de morrer afogado, pratica uma acção moralmente boa, quer o motivo da acção seja o dever, quer seja a esperança de um pagamento.  Aquele que trai um amigo que confiou nele, comete um acto condenável mesmo que por detrás do seu acto esteja a intenção de ser um amigo a quem deve maiores obrigações.

Aplicando o tipo de raciocínio anterior ao amor e aos actos que ele inspira, podemos defender que a generosidade, a caridade ou a razão podem ser bem mais importantes que o amor (algo conhecido por «consequencialismo» e «utilitarismo»). Que aquilo que interessa é a valia dos actos, as suas consequências, e não o que está por detrás deles (seja ele o amor ou qualquer outra intenção ou sentimento).

Mas será que o amor é assim tão pouco importante? Será que verdadeiramente podemos prescindir dele, substituindo-o pela razão?

É um facto: em certas ocasiões pode ser preferível usar a razão ao amor. O amor ao poder pode ser pernicioso, tal como o amor ao luxo, ou o amor excessivo aos nossos filhos (ele pode estragá-los)... Há que desconfiar de muitas formas de amor, e actos de amor…

E no entanto, importa não minimizar intenções e sentimentos, e nomeadamente o amor.

Os sentimentos definem-nos. Estão no centro da nossa humanidade. Sem intenções e sentimentos caímos num universo robótico e inumano. Ou, como o próprio Stuart Mill (um expoente do consequencialismo e utilitarismo) postulou, a propósito da felicidade:


É melhor ser-se um ser humano insatisfeito do que um porco satisfeito. É melhor ser-se um Sócrates insatisfeito do que um louco satisfeito. E se o louco e o porco são de opinião diferente, é porque apenas conhecem um lado da questão; só o outro lado conhece ambas as perspectivas

Ou seja, o bem (no caso a felicidade) não pode ser reduzido a um facto abstracto, tal como o amor não pode ser ignorado. Porque nesse caso estamos a defender o universo do porco, ou um outro qualquer universo muito diferente do universo humano.




Amor fraternal? Ver também:
Poema a Alzheimer
O amor fraternal de Sao Lucas
Resolver os nossos males por via do amor
Não podemos comandar o amor
Maquiavel, a natureza do homem, a política e o amor
O amor e o sofrimento: uma explicação para a falta de amor

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