Resolver os Nossos Males por Via do Amor: Apelos de Amor
Não pode
haver uma significativa evolução humana sem uma radical mudança
naquilo que são os fundamentos dos modos de pensar
John Stuart
Mill, 1806-1873, filósofo inglês, Autobiografia
Os
conflitos repetem-se, mundo fora. Os crimes, os terrorismos e as
guerras multiplicam-se. Às vezes até parece que vivemos à beira
do apocalipse, ou que a apocalipse é um cenário bem possível. E
os apelos inflamados ao amor e ao lado bom dos homens
multiplicam-se.
Mas esses
apelos são largamente ilusórios. Não por cinismo de quem os faz
– os apelos são muitas vezes sinceros - mas porque a terra em
que eles caem se revela incapaz de dar os frutos desejados.
Essa terra estéril é, obviamente, o próprio homem - o homem que
se desconhece a si mesmo e que é incapaz de ser ver na sua
condição de animal cheio de contradições, cuja mente vive em
ilusões criadas pela natureza e pela sociedade.
Continuamos a acreditar demasiado nas nossas razões, nos nossos
orgulhos e indignações, na nossa pátria, nos nossos deuses e nas
nossas ideias. E a escola e a sociedade continuam a alimentar
esses vícios, em vez de os contrariar, mesmo nas sociedades mais
tocadas pelos ventos do progresso e da modernidade.
Continuamos prisioneiros do nosso entendimento animal da vida, e
incapazes de rir e de desconfiar de nós mesmos, dos nossos ódios,
das nossas pretensões. E enquanto assim continuarmos, sem
mentalidades mais humildes e tolerantes, estaremos sempre
prontos a odiar, sempre prontos a ser arregimentados, a matar e
a alimentar guerras e conflitos. E os apelos ao amor, de pouco
servirão.
Amor
fraternal? Ver também:
Poema a Alzheimer
O amor fraternal de Sao Lucas
Não podemos comandar o amor
Maquiavel, a natureza do homem, a
política e o amor
O amor e o sofrimento: uma
explicação para a falta de amor
Actos com e sem amor