A
contradição reside em nós e está no centro da nossa
realidade, incluindo o amor. Amamos o que nos dá prazer e o
que nos faz sentir felizes. É por isso que amamos os nossos
cônjuges, os nossos pais, os nossos filhos. Só que isso
também pode também ser causa de dor e sofrimento, como todos
sabemos.
A dor,
a morte, e a desgraça rondam as nossas vidas, e quando elas
atingem aqueles que amamos, isso obriga-nos a sacrifícios, e
a chorar e a sofrer por eles. Por isso, amar muito, ou amar
muita gente, se por um lado é fonte de alegria e prazer,
também é fonte de dor – associado à dor daqueles que amamos.
Não
amar pode, por isso, ser uma via de fugirmos à dor. É o que
a seu modo diz o monge budista I-Hsuan:
Mata tudo o que se cruzar contigo. Mata Buda, se ele vier
ter contigo… Mata os teus pais e parentes, se vierem ter
contigo. Só assim podes ser livre, sem ligações às coisas
materiais, sem quaisquer laços, e à vontade.