A Realidade é um Produto das Ideias que Criamos e de que
somos Escravos
Como
seres vivos, temos a estranha capacidade de criar e amar
ideias. Faz parte da natureza humana. Conhecer o mundo é de
certo modo formar ideias sobre esse mundo.
Mas as nossas ideias não são, obviamente, cópias ou
traduções fiéis da realidade, tal como os nossos olhos e
sentidos não captam essa mesma realidade («A natureza dos
fenómenos não pode ser entendida pelos nossos olhos»,
considerou Lucrécio, há dois mil anos, antecipando o que os
físicos e outros cientistas hoje confirmam).
Por outras palavras: ao criar as ideias, o nosso cérebro
simplifica a realidade, e outras vezes revela uma enorme
fantasia e constrói ideias sem substância real.
De
facto, algumas das nossas ideias são manifestamente irreais
e míticas: a ideia do pai Natal, a ideia de que o nosso país
é o melhor do mundo, a ideia de que os homens têm o direito
de escravizar os outros animais, a ideia de que as mulheres
são inferiores aos homens, e por aí fora…
E para
cúmulo de tudo, ao criarmos ideias, ficamos seus escravos.