Caminhos da História:
Amor,
Necessidade e Acaso
Há mil
e um factores soprados pela jogo da sorte e do azar que
podem abrir ou fechar as portas da vida, e levar a que
cheguemos mais além ou fiquemos pelo caminho: uma ajuda, um
amor, uma palavra, uma pessoa, podem levar-nos ao sucesso,
mas também podem fechar horizontes; uma bactéria, um gene
defeituoso podem bater-nos à porta, caprichosamente, sem
nada a ver com o que somos, determinando os caminhos da
desgraça e abreviando as nossas curtas existências. As
nossas vidas estão altamente dependentes do acaso.
E o mesmo não deixa de acontecer na nossa história colectiva,
onde factores menores e erráticos empurram massas enormes de
gente para caminhos inesperados. «Tivesse sido o nariz de
Cleópatra mais curto, e toda a face do mundo teria mudado»,
disse Pascal, metaforicamente. Ou como diz Francis Fukuyama:
«Teriam Júlio César e Napoleão sentido a necessidade de
conquistar quase toda a Europa, se tivessem podido tomar de
vez em quando um comprimido de Prozac? E assim sendo, como é
que teria sido a História?»
A
nossa história colectiva teria de facto sido muito diferente,
se Júlio César, Napoleão ou Hitler tivessem sido diferentes,
ou se, simplesmente, tivessem tido vidas amorosas diferentes
(parece que os três tiveram uma vida amorosa e sexual
atípica e atribulada).
Mas
mais importante ainda do que isso, do que as
particularidades psicológicas e sexuais dos Júlios César e
dos Napoleões deste mundo, são outras particularidades
introduzidas no nosso cérebro pela natureza. Suponhamos, na
linha de Francis Fukuiama, que a natureza tinha introduzido
no nosso cérebro um neuro-transmissor ou uma hormona com
efeitos equivalentes ao Prozac, um qualquer elemento químico
que nos fizesse ser indivíduos mais plácidos e menos
agressivos (ou mais capazes de amar, e que ligassem menos ao
nariz de Cleópatra).
Nesse caso sim, a nossa história seria radicalmente
diferente. Nesse caso não seriam apenas os caminhos a ser
diferentes. Teriam sido também as forças profundas da
própria história humana. E viveríamos hoje, de certeza, num
mundo totalmente diferente.
Citações
A
Nossa História Podia Ser Muito Diferente
Teriam
Júlio César e Napoleão sentido a necessidade de conquistar
quase toda a Europa, se tivessem podido tomar de vez em
quando um comprimido de Prozac? E assim sendo, como é que
teria sido a História?
Francis
Fukuyama, ensaísta norte-americano, O nosso futuro
pós-humano
Suponhamos que Lenine tinha adoecido na Sibéria em 1895, e
que Hitler tinha sido morto na frente de combate em 1916.
Será que o século XX teria sido como foi?
Arthur
Schlesinger Jr., n. 1917, historiador americano, The
Cycles of American History
Tivesse sido o nariz de Cleópatra mais curto, e toda a face
do mundo teria mudado.
B.
Pascal, 1623-1662, filósofo, físico e matemático francês,
Pensamentos
Se o asteróide que colidiu com a Terra há 60 milhões de anos
tivesse passado um pouco ao lado, nunca teriam existido
seres humanos.
Lee
Silver, biólogo molecular americano, Remaking Eden
Amor e História? Ver também:
A
Paranóia de Hitler, o Amor, os Palestinianos e os Judeus
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