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«As pessoas dizem que seria terrível se começássemos a fazer
raparigas bonitas, por via da engenharia genética. Eu penso
que seria maravilhoso».
James
Watson, biólogo americano, em NewScientist.com, 28/2/2003
James Watson, um dos co-descobridores do ADN, era um homem de
convicções fortes que não temia a polémica. Para ele, mudar o
nosso genoma e mudarmo-nos a nós mesmos, por via da engenharia
genética, era perfeitamente legítimo.
O importante, para Watson, era a felicidade humana. Mudar o
genoma de modo a que todas as mulheres fossem belas, era apenas
uma forma de eliminar os sofrimentos ligados à fealdade.
Para Watson não havia qualquer santidade no código genético
responsável pela construção do corpo e do cérebro humano. Esse
código era um produto de acasos e da lógica da natureza, o
produto de um processo de milhões de anos, envolvendo tremendos
sofrimentos, a morte de milhões de espécies por outros, a cruel
luta pela sobrevivência e adaptação ao ambiente. «Que livro
poderia o secretário do diabo escrever sobre a imperfeição, os
desperdícios e os disparatados, baixos e horrivelmente cruéis
trabalhos da natureza», disse Charles Darwin, a propósito.
Daí a sua posição: é perfeitamente legítimos alterarmos o nosso
código genético. O importante é obtermos maior felicidade, neste
caso concreto aumentando a nossa beleza física.
Mas não é
esta a perspectiva dos meios conservadores e dos meios
religiosos. Para eles o genoma humano está imbuído de santidade.
Ele corresponde a desígnios (de Deus), que o homem não deve
alterar. Abrir a porta a alterações nesse código é alterar a
natureza, é alterarmos aquilo que somos para nos transformarmos
em seres híbridos. Seria um primeiro passo, de uma sequência
imprevisível, que levaria à negação daquilo que o homem é.
Ambas as
posições são pertinentes e válidas, se aceitarmos os seus
pressupostos, ou seja, se aceitarmos aquilo que cada uma das
partes mais ama. Ou seja: no caso dos conservadores, o amor a
uma certa ideia de Deus, e a uma certa concepção do homem como
ser superior e criado à imagem de Deus. E no caso de James
Watson, o amor a uma certa ideia de progresso, ciência e
felicidade secular... E são esses amores que determinam as
posições finais.
Amor e Ciência? Ver também:
O
Amor e os interesses dos
genes
O amor, as paixões, a infedilidade...
são comandados pelos genes
Robots, andróides, amor e futuro
humano
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