O Amor E
os Interesses dos Genes
A
Liberdade Humana
O amor é
misterioso, é belo, é divino. É o que frequentemente se diz.
Mas não é essa a posição das modernas correntes da psicologia
evolucionista. Para esses cientistas, isso não passa de ilusão.
Por debaixo da espontaneidade do amor, há mecanismos genéticos.
Melhor: há genes a defender os seus interesses, a libertar
determinadas substâncias químicas; o amor dos pais é uma forma
de os genes obrigarem esses pais a defenderem as cópias dos
mesmos genes, existentes nos filhos. Os pais estão a ser
manobrados pelos genes…
Uma visão horrorosa? Não nos precipitemos. Há outra forma de ver
esta realidade.
Repare-se: não é novidade que o amor tenha uma base genética.
Ele vem, de facto, de dentro de nós, daquilo que é mais fundo em
nós. É isso que sempre o dissemos. O que os cientistas estão a
acrescentar é que esse fundo tem a ver com os genes e com os
instintos neles entroncados.
Mas o poder dos genes não é ilimitado. Os genes podem estar a
defender os seus interesses ao provocarem certas paixões ou
certas formas de amor. Mas nós não somos meros prisioneiros dos
genes…
Mais concretamente, contrariamo-los sempre que contrariamos
instintos (relacionados com o amor, ou sexo, ou a outros níveis).
Contrariamo-los ao reduzirmos o número de filhos por casal (o
interesse dos genes é que tivéssemos o maior número possível de
filhos). Contrariamo-los sempre que desligamos o sexo que
praticamos da função genética original do sexo: a função
reprodutiva. Contrariamo-los sempre que amamos para além daquilo
que é propensão genética: o amor num quadro passional ou
familiar.
Noutros termos: o nosso amor não tem que ser visto como uma mera
emanação dos genes, e dos seus interesses. Por que é que havemos
de ver o amor de uma mãe ou de um pai, ou o amor lírico dos
apaixonados, como uma mera emanação genética e um simples
reflexo mecânico dos interesses dos genes?
A nossa inteligência, a nossa consciência, a sociedade, e os
nossos valores, podem sobrepor-se aos impulsos genéticos. O
nosso cérebro não é um títere às mãos dos genes. Em termos
evolucionários, ele apareceu e desenvolveu-se para resolver
múltiplos problemas, e evoluiu em termos que ultrapassam
largamente os imperativos de reprodução, fixados geneticamente.
Os genes não são forças diabólicas, aprisionando-nos. O nosso
amor não tem visto como sendo o amor determinado pelos
interesses dos genes, e como emanação deste.
É razão para dizermos, como disse Alexis Tocqueville, ainda que
a outro nível e outros propósitos «À roda de cada homem está
traçado um círculo fatal, para além do qual ele não pode passar.
Mas dentro do vasto espaço do círculo, ele é poderoso e livre.
Amor e Ciência? Ver também:
O amor, as paixões, a infedilidade...
são comandados pelos genes
Robots, andróides, amor e futuro
humano
Mulheres bonitas e feias