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Revolta da Mulher
Queixas Femininas e Exploração Masculina

Os primeiros e conhecidos gritos de revolta femininos contra o casamento e a opressão masculina datam de há escassas dezenas ou centenas de ano. Oiçamos alguns:


É duro sermos desprezadas pelos homens; impedidas de conhecer o que nos poderia dignificar; afastadas do conhecimento, banidas das escolas, e como verdadeiras fábricas parir loucos

Mary Chudleigh, 1656-1710, poetisa inglesa, Poems, The Ladies defense.

 

Uma mulher pouco pode escolher… Ela depende do que lhe acontece. Ela tem que aceitar as coisas menores, já que apenas as coisas menores estão ao seu alcance.

George Eliot, 1819-1880, escritora inglesa, Félix Hold

 

Não é o mundo uma vasta prisão, e as mulheres escravas de nascença?

Mary Wollstonecraft, 1759-1797, precursora do feminismo, The wrongs of woman

E isso pode legitimamente levar a que nos interroguemos: porque não surgiram eles mais cedo? E por que é que não existem mais ecos dessa revolta? Por que é que, por exemplo, Heloísa – tão culta, tão inteligente – não se revoltou contra Abelardo, e a sua lógica escolástica e fria? Por que é que se calou, quando ele o requereu ou sugeriu?

Há muitas explicações, claro está. No caso de Heloísa e Abelardo há uma poderosa cortina de fumo (há quem defenda que as cartas de Heloísas são apócrifas, o que baralha todos as possíveis explicações...) Mas há também fortes explicações de âmbito geral, nomeadamente as relacionadas com o peso dos preconceitos do passado, e a opressão social – aliada ao analfabetismo. Estes factores, interligados, podem ter desarmado mesmo as mulheres mais heróicas e inteligentes.

Mas há obviamente outras explicações, e entre elas há uma que merece a nossa reflexão. Na realidade, nem é propriamente um factor explicativo do silêncio feminino, mas apenas um factor que pode explicar a ausência de revolta - um factor que pode ser encarado como provocatório, mas que mesmo assim merece ser reflectido: na prática, em muitos casos e sociedades, os homens podem não ter sido tão dominadores e brutais face à mulher quanto frequentemente se diz. A personalidade e a força feminina impôs-se muitas vezes ao homem, no interior da vida do casal. A personalidade e a força feminina canalizou-se muitas vezes nessa direcção, diminuindo a força e a opressão masculina, e tornando menos premente a revolta pública.


C
itações
Lamentos e ecos feministas antigos
 

Mulher e servo, é o mesmo; apenas o nome difere.

Mary Chudleigh, 1656-1710, poetisa inglesa, Poems, To the ladies

 


Os homens são vis, inconstantes, sapos.

Mary Montagu, 1689-1762, escritora inglesa e precursora do feminismo, Letter to Anne Justice 

 


O foge, oh! foge do maldito casamento, e odeia todos esses cortejadores.

Mary Chudleigh, 1656-1710, poetisa inglesa, Poems, To the ladies

 


Não quero que as mulheres tenham poderes sobre os homens; apenas que tenham poderes sobre si mesmas.

Mary Wollstonecraft, 1759-1797, percursora do feminismo, A vindication of the Rights of Women

 


O trabalho das mulheres em casa, permite certamente que os homens produzam mais riqueza do que aquela que de outra forma produziriam. E é por essa via que as mulheres são importantes factores económicos na sociedade. Mas isso também acontece com os cavalos.

Charlotte. P. Gilman, 1860-1915, escritora e feminista norte-americana, Women and Economics

 


A louca e cruel ideia de que uma esposa tem que obedecer ao marido, mandou mais mulheres para o túmulo do que os tribunais para o divórcio.

Lemuel K. Washburn, 1846-1927, escritor americano, Is The Bible Worth Reading And Other Essays

 

Amor e Casamento? Ver também:
Amor, Guerra de Sexos e Natureza Humana
Pensamento tradicional do Homem sobre a mulher
Prisão e desilusão na casamento
Opressão das mulheres e genes masculinos
Amor feminino e jogos de sedução
Machismo do homem e feminismo radical
O casamento é uma decisão irracional
Casamento como o túmulo do amor


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